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Esse sim, é o Botafogo!

“Não existe Nilton Santos sem o Botafogo; não existe Botafogo sem Nilton Santos.” A expressão saída da voz apaixonada de sia fiel companheira, Célia, na tarde quente do domingo, 8 de fevcreiro, no estadio Olímpico João Havelange, ao mostrar à torcida a gloriosa camisa número seis do maior lateral esquerdo da história do futebol mundial, traduz com absoluta fidelidade o que é torcer e amar o clube e o time da estrela solitária.

Principalmente para as mais novas gerações de botafoguenses, que não puderam ver em campo o jogador que em 17 anos de inigualável carreira só vestiu três camisas: a alvinegra do seu e do nosso Botafogo, a branca da seleção carioca e a amarelinha da seleção brasileira, com a qual conquistou o bicampeonato mundial, na Suécia em 1958 e no Chile, em 1962, já com 37 anos de idade.

Nilton Santos, que o craque argentino Nestor Rossi, do River Plate, ao presenciar o desespero do lateral esquerdo de seu time, Vairo, ao levar um baile sem fim de Garrincha no hexagonal do México, vencido pelo Botafogo em 1961, chamou-o no intervalo do jogo e disse: vá ali até aquele senhor e passe as mãos com respeito em suas canelas, que talvez você consiga entender o que é ser craque, entender porque você não consegue parar Garrincha. É que naquelas pernas está condensada a essência da arte de jogar futebol.

É por isso que naquele instante mágico em que Célia, o presidente Maurício Assumpção e a torcida alvinegra, irmanados, homenageavam o ídolo dos ídolos, me veio à memória as imagens de seu inesquecível gol contra a Áustria em 58, a goleada um ano antes de 6 a a 2 na final com o Fluminense, a sua atuação, vestido de camisas de mangas compridas na conquista do bi de 62, no baile de Mané em Jordan do Flamengo. E, por ser fevereiro, por ser carnaval, senti uma vontade louca de sair pelas ruas em volta do Engenhão, cantando aquele samba da grande botafoguense Beth Carvalho, hino do título de 89, o do gol do Maurício: esse é o Botafogo que eu gosto, esse é o Botafogo que eu conheço”.

O Botafogo, unido em torno de seus idolos e craques, de Mané, de Didi, Quarentinha, Amarildo, Zagallo, Heleno, Jairzinho, Paulinho, Roberto, Paulo Cesar Caju, Nei Conceição, Marinho, Carlos Roberto, Leônidas, Gerson, Manga, Mauricio, Túlio…

Mas, sobretudo, o Botafogo eterno de Nilton Santos.
 



José Antônio Gerheim